segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Arrogância e Preconceito

Artigo retirado do site SINPROSP

Opinião da Diretoria
07/01/2009 11h29

Arrogância e preconceito

Leia com atenção o trecho transcrito do artigo "Educação como caminho", publicado no jornal O Estado de S. Paulo (05/01/2009, A-2). Ele refere-se às professoras de educação básica:

A maior participação da mulher no mercado de trabalho trouxe outras opções de carreira para as mais talentosas [grifo nosso]. Anteriormente, se uma mulher desejasse trabalhar, a única possibilidade socialmente aceita era ser professora.

Acredite: a autora dessa pérola foi nomeada secretária de educação do município do Rio de Janeiro. Trata-se da economista Cláudia Costin, vice-presidente da Fundação Vitor Civita, ex-ministra de Administração do governo FHC, ex-secretária de Cultura do governo Alckimin. Segundo seus critérios, faz parte do seleto grupo de "talentosas" que conseguiram fugir do magistério...

Chegamos a esse nível. A futura secretária de educação do Rio de Janeiro expressa, sem pudor, sua visão do magistério. Uma carreira destinada a quem, por falta de opção melhor ou capacidade pessoal, não pôde escolher outro caminho.

O artigo é de segunda mão, já que possui trechos literalmente copiados de outro - "Formação docente e qualidade de ensino" -, da mesma autora, publicado na Folha de S. Paulo, em 05/11/2008. Isso, no momento, é irrelevante. Importa mesmo é o conteúdo, porque ele expressa o baixo nível de debate sobre a educação e o magistério.

Num país onde todo mundo acha que entende muito de educação, algumas pessoas perderam a vergonha de falar qualquer bobagem e o que é pior: muitas delas têm espaço garantido na grande imprensa. O diagnóstico é pautado pelo senso comum, recheado por chavões. A solução é sempre simplória: basta encontrar um culpado. Quase sempre o professor.

Se até certo tempo o problema estava na chatice do professor, agora bola da vez está na sua (má) formação ou no seu desestímulo, já que ele só dá aula porque não tem "talento" para exercer outra função. É um discurso que oscila entre a condescendência (que vê o professor como um coitado) e a hostilidade (que o trata como o principal empecilho à aprendizagem). Não importa o tom, o resultado é um só: a desqualificação - pública e irresponsável - do trabalho docente. Parece que ninguém se dá conta de como esse bombardeio constante afeta a sala de aula e se reflete negativamente na qualidade da educação. Por dois motivos.

Em primeiro lugar, os professores passam a ter o seu trabalho ditado pelos "gestores da educação" que não estão em sala de aula, mas se arrogam no direito de interferir no trabalho docente. Quase sempre para pior. Em segundo lugar, porque mina um dos princípios basilares do processo educativo, gostem ou não os modernosos: a autoridade do professor.

É possível que uma alternativa - não a única - para a educação esteja numa receita antiga: permitir que o professor exerça a sua principal função - a de ensinar - e resgatar socialmente a autoridade docente. Em outras palavras: parar com essa desqualificação inconsequente.

Quanto à Costin, ela é apenas um triste exemplo do embuste que tem dominado o debate sobre a educação.

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2 comentários:

Vanessa dos Santos Nogueira disse...

Oi Denise!!!

Claro que pode participar do meme sobre leitura, daqui a pouco vou arrumar os links dos blogs que ficaram juntos, não sei como eu deixei assim hehehhe tem um artigo muito bom sobre memes, vou colocar lá tambem.

Bjusss

Profe Márcia disse...

Olá Denise, vou dar uma força sim. Já comecei a divulgar.
Até dia 22, estarei envolvida com o aniversário do blog, mas a partir desta data, farei uma postagem especial para o museu. copiarei do seu blog as informações, por enquanto, fiz uma chamada no início.
Beijos
Márcia